9º ANO_AULA 13 - A REVOLUÇÃO DE 1930 E O FIM DA REPÚBLICA VELHA


A REVOLUÇÃO DE 1930 E O FIM DA REPÚBLICA VELHA


A partir da década de 1920, começaram a surgir no cenário nacional alguns fatores sociais e políticos que contribuíram decisivamente para o declínio e derrocada da República Velha. O agravamento da crise econômica, a eclosão de revoltas e levantes militares, o crescimento das camadas sociais urbanas, além do acirramento dos conflitos políticos devido à progressiva divisão das oligarquias dominantes formam o conjunto de fatores que provocaram a Revolução de 1930.


A expansão da indústria fez surgir a burguesia industrial, a classe média e o operariado. Nas regiões Sul e Sudeste do país, onde essas transformações foram mais intensas, o surgimento e o crescimento desses novos grupos e classes sociais colocaram em xeque o domínio político exclusivo das oligarquias agrárias.

CAMADAS SOCIAIS URBANAS

As camadas sociais urbanas, principalmente a burguesia, passaram a reivindicar participação nas decisões governamentais e reformas das instituições políticas. Surgem então exigências de mudanças no sistema eleitoral de modo a acabar com a fraude, a corrupção e o coronelismo. Passam a pressionar também por mudanças na política econômica reivindicando maior investimento e incentivo público ao setor industrial e o fim da política de apoio exclusivo ao café.
Por outro lado, o operariado crescerá em número e em organização provocando o surgimento de sindicatos trabalhistas. Os sindicatos trabalhistas lutarão contra as longas jornadas de trabalho, os baixos salários, as condições degradantes do ambiente fabril e a vigilância e repressão policial.

Para as elites dominantes, as reivindicações trabalhistas eram tratadas como "caso de polícia". Mas a constante repressão policial contra os trabalhadores não impediu, porém, a eclosão de greves por todo o país. As pressões e reivindicações crescentes do operariado urbano apontou para necessidade de uma política de caráter governamental de ampliação e proteção dos direitos dos trabalhadores que assegurassem condições dignas de trabalho e remuneração.

A CRISE DE 1929

Em 1929 a economia mundial é abalada por uma forte crise provocada pela falência da bolsa de valores de Nova York. A crise de 1929 atingiu duramente os Estados Unidos e os países europeus. Sendo ainda um país predominantemente agrário, exportador de produtos primários, principalmente o café, e dependente dos mercados e empréstimos externos, a crise de 1929 atingiu duramente a economia do Brasil.
Nesse contexto, os mercados consumidores encolheram drasticamente. Diante da crise, os cafeicultores recorreram, como de costume, ao apoio do governo federal que, porém, foi incapaz de dar continuidade à política de proteção ao setor.
Por esse motivo, a crise de 1929 também foi um importante fator a contribuir para o enfraquecimento político das oligarquias cafeeiras e, além disso deixou claro para as elites dominantes a inviabilidade e os limites do modelo de economia agroexportadora.

AS OLIGARQUIAS DISSIDENTES

A Política dos Governadores firmada no governo do presidente Campos Salles (1898-1902) consistiu num acordo tácito entre as oligarquias cafeeiras paulista e mineira com objetivo de estabelecer a hegemonia na política nacional em defesa dos seus interesses. Por meio de acordos entre o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM), os dois estados indicavam um nome de consenso como candidato ao governo federal e elegeram praticamente todos os presidentes da República.
A aliança entre São Paulo e Minas Gerais ficou conhecida como a política do "café-com-leite". Contra a hegemonia política paulista e mineira insurgiram as oligarquias das Regiões Sul e Nordeste. No final da década de 1920 as pressões e conspirações das oligarquias dissidentes ampliaram-se. Mas foi o rompimento da aliança entre São Paulo e Minas Gerais que provocou o movimento revolucionário que determinou o fim da República Velha.

O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO

Na sucessão presidencial de 1930, São Paulo e Minas Gerais discordaram sobre o nome do candidato que disputaria o pleito. O presidente Washington Luiz apoiou a candidatura do paulista Júlio Prestes, ao invés de apoiar a candidatura do mineiro Antônio Carlos.
Essa atitude levou Minas Gerais a romper com a aliança com os paulistas e a apoiar as oligarquias de outros estados: do Rio Grande do Sul e da Paraíba. Desse modo, esses três estados formaram um grupo político de oposição chamado Aliança Liberal.
Nas eleições de 1930 a Aliança Liberal apresentou como candidato a presidente o gaúcho Getúlio Vargas e o paraibano João Pessoa para vice-presidente. Foram derrotados pelo candidato do governo, Júlio Prestes. Mas, Júlio Prestes não chegou a tomar posse, porque meses depois das eleições eclodiu a revolução que colocou Getúlio Vargas no poder.


ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA

Em julho de 1930, João Pessoa foi assassinado pelo advogado João Dantas (1888-1930) em Recife. Acredita-se que o crime tenha ocorrido por razões pessoais e ligadas à política paraibana, mas a morte do candidato a vice-presidente transformou-se numa questão nacional. A indignação toma conta do país e mesmo sem apoio, o presidente Washington Luís não pretendia renunciar ao poder.

Notícia da morte de João Pessoa do Jornal do Brasil, em 27 de julho de 1930


 Assim, contando com o apoio militar dos tenentes, as oligarquias dissidentes de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul desencadearam um movimento de revolta em várias regiões do país. Diante de uma iminente guerra civil, as Forças Armadas (Exército e Marinha) deram um golpe de Estado depondo o presidente Washington Luiz.
Uma junta militar transmitiu o governo a Getúlio Vargas, líder máximo da Revolução. Vargas governou o Brasil de 1930 a 1945. Seu governo atravesso uma fase provisória, uma fase constitucional e depois se transformou numa ditadura que promoveu muitas mudanças na economia e a modernização das instituições políticas.

REVOLUÇÃO OU GOLPE?

 A Revolução de 1930 foi chamada desta maneira pelos seus membros. No entanto, trata-se de um golpe de estado e não uma revolução. Uma revolução possui amplo apoio popular, propõe e causa drásticas mudanças quando instalada no poder.
Já o golpe de Estado, é a retirada do poder por meio da violência de um político constitucionalmente eleito ou consagrado para aquele cargo.
Os acontecimentos de 30 foram uma luta pelo poder entre as elites, com margem de vitória a qualquer uma delas e que pouco mudariam a estrutura social brasileira em profundidade.

CURIOSIDADES

- Washington Luís só retornaria ao Brasil em 1947. Por sua vez, Júlio Prestes pediu asilo ao consulado britânico e voltaria em 1934.
- Três ex-ministros de Getúlio Vargas e três tenentes de 1930 chegaram à Presidência da República: Eurico Gaspar Dutra, João Goulart e Tancredo Neves (ministros); Castelo Branco, Emílio Médici e Ernesto Geisel (militares).
- Getúlio teve quase 100% dos votos no Rio Grande do Sul durante a eleição de 30.

Juliana Bezerra – Professora de História


























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